domingo, 1 de agosto de 2010

O Bardo - Capítulo 10

Capítulo 10 - Perseguição


A floresta se fechava ao redor de James Albright. Não era natural, ele sabia. Suspeitava nem mesmo estar ali. Fazia dias que não via ou ouvia Lady Sadller ou Leto, o Assassino das Sombras. A grama entre as árvores parecia abraçar seus tornozelos como grilhões maleáveis. Caminhou sem direção, sabendo que não conseguiria se orientar, mesmo que tentasse.


James acordou. Era a terceira vez que tinha o mesmo sonho. O jovem estava no acampamento, junto com Lady Sadller, que dormia, e Leto, que mantinha-se em vigilância. Fazia já duas semanas que viajavam. Nos primeiros dias atingiram a cidade natal do garoto, apenas para descobrir uma grande devastação. Mansões queimadas, diversos corpos no chão e uma nuvem de corvos se alimentando dos restos.


Buscaram os rastros da Tropa do Corvo, mas o jovem já sabia seu destino. A prisão sobre a montanha de fogo, apesar de ninguém parecer saber onde tal estrutura ficava. Naquele quinto dia de perseguição, em meio à floresta, encontraram rastros mais consistentes, e um corpo deixado para trás. Uma mulher de meia idade com dois ferimentos profundos no peito. Tudo o que conseguiram foi escutar seu último suspiro e mais nada. Nenhuma informação. Isso frustrava Leto, que via naquela perseguição algo bondoso demais e estúpido demais.


-James... vem cá garoto... eu sei, é tua mãe... mas... sério... isso aqui não vai dar em nada... você não quer salvar o mundo? Se morrer, o mundo todo tá fodido...


O rapaz encarou o Assassino. Levantou-se e andou até ele, postando-se na sua frente. Se entreolharam por vários minutos, até que Lady Sadller pareceu despertar de seu sono. A mulher se levantou, seu punho roçando o cabo do sabre. O movimento não passou desapercebido para Leto.


-Então a senhora me mataria, por causa desse fedelho... é... parece que sou voto vencido...


James então relaxou sua postura. Estivera tenso todos os minutos que encarou Leto, aguardando um ataque do Assassino. Um ataque que não foi desferido. Os três então recolheram acampamento e seguiram viagem.


Por mais oito dias os três perseguiram os rastros da Tropa, até avistarem a montanha. Era um vulcão, logo perceberam. O calor era quase insuportável, mesmo estando ainda uns cem metros distantes da base do morro. No meio de uma trilha, visível da parte de baixo, a tropa escalava, conduzindo talvez umas sete dezenas de mulheres e crianças. James sentiu um aperto no coração. Sua mãe estava ali, e também a mulher de cabelos prateados. Sentiu algo especial por ela, mesmo sem saber quem era exatamente.


Antes que tivesse avançado, Leto segurou em seu ombro e apontou. James divisou quatro seres que nunca havia visto antes. Pareciam grandes massas vermelho-alaranjadas em princípio, mas as massas tinham braços longos e delgados.


-São Demônios de Magma. Melhor redobrarmos o cuidado. Avançaremos quando anoitecer.


James encarou Leto. Lady Sadller captou a tensão entre os dois. Ia levantar sua voz, mas Leto falou mais uma vez.


-Garoto, eu posso não ser bonzinho mas como estamos aqui juntos eu trabalho pelo bem da missão. Posso discordar, mas aceitei a ordem do seu pai. Então, não se preocupe comigo.


Enquanto aguardavam o anoitecer, os três não perceberam uma figura escondida nas sombras de uma caverna próxima.


Eles estavam sendo observados.


Continua...

terça-feira, 27 de julho de 2010

Comunicado!! - Já estava na hora!





Olá senhoras e senhores, queridos leitores e colaboradores! Finalmente, depois de uma longa ausência, esse espaço está à toda novamente! Foram alguns dias de férias e mais alguns dias tentando resolver o bug que fazia com que eu não pudesse anexar fotos nos posts (que me desanimou um bocado), mas, cá estou novamente.

Hoje, pra comemorar o retorno, uma dica de jogo para PC. Fiquem de olho nos jogos da Blizzard! Agora, com uma filial brasileira, os custos dos jogos originais ficarão muito mais baratos! Além disso, esperem um suporte mais decente para os usuários verde e amarelos.

Aguardo ansiosamente por Starcraft II - Wings of Liberty, que dará sequencia à saga que esteve nos computadores em 1995 (aquele longínquo ano...)!

Abraços à todos!

Sayonara!

PS: O Bardo retorna no próximo domingo, dia 01/08!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Comunicado!!


Olá queridos leitores e leitoras!

Tal qual um carrasco medieval empunhando um afiado machado de duas mãos, o final do meu período letivo na faculdade se aproxima. Tal qual o condenado que galga os degraus do cadafalso, eu estou realmente tenso.

Dessa forma, peço humildes desculpas, mas essa semana não haverá prosseguimento do conto "O Bardo", mais uma vez. Entretanto, nada de pânico! Na quinta-feira (dia 15/07) haverá um novo post com mais uma parte do conto!!!

Agradeço a compreensão, e peço que todos torçam para que o Imperador aponte seu polegar pra cima e que o período acabe com um saldo positivo!

Gomen à todos.

Sayonara!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Cerimônia do Chá - Resenha


Olá queridos leitores e leitoras! Hoje, uma cerimônia do chá um pouquinho diferente. Diretamente das longínquas terras de Recife, lá na terra do Sport (longínqua pra mim que sou carioca tá? Sem ofensas pra região, rsrs) uma leitora/colaboradora/amiga fez o imenso favor de, aproveitando sua tara por leitura, dedicar seu tempo à fazer uma resenha e colaborar com o blog.

Então senhoras e senhores, fiquem com o material enviado pela querida colaboradora Taynara Cardoso!


***

RAMSÉS - O FILHO DA LUZ - VOL.I


Este primeiro volume narra a trajetóia do jovem principe Ramsés. Mostra o personagem como qualquer adolescente, apesar de ser uma história antiga. Seus medos e paixões por Iset, a bela, o amor por Nefertari , além de seu grande desejo de assumir o lugar de seu pai, o grande faraó Sethi, com a sua simplicidade .

Mesmo não sendo uma regra geral Ramsés não é filho primogênito, o que faz com que Chenar, seu irmão mais velho, seja o mais " preparado ". Entretanto, Sethi treina o jovem secretamente para suceder o seu trono , levando o leitor a aprender os mistérios e a cultura egípicia, mostrando como o filho mais velho do rei faz uma aliança com menelau ,as tramas e as conspirações para que Ramsés não se torne faraó .

O herói só pode confiar em Armeni , o escriba , Setaou, o encantador de serpentes, e Moíses , seu condiscipulo hebreu .

O Livro é cheio de sedução e relata com precisão os templos dos antigos Deuses , cerimônias, descrição de lugares como Núbia , Tebas e o cotidiano de um povo que ama e respeita o seu lider .


***


Espero que todos tenham gostado. Eu, pessoalmente, fiquei com vontade de ler! Obrigadão pelo apoio e pela colaboração Tay!

PS: Peço mais uma vez desculpas aos leitores, mas o blog está me sabotando e não estou conseguindo anexar arquivos de imagem. Espero resolver isso ainda essa semana.

Obrigado à todos, e até a próxima Cerimônia do Chá!

Sayonara

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Comunicado!


Olá queridos leitores e leitoras.

Infelizmente, essa semana não haverá seguimento do conto "O Bardo". A faculdade caiu matando com trabalhos e provas, de forma que não consegui escrever o capítulo a tempo. Semana que vem o conto continua!

Na quarta-feira haverá uma participação especial, de uma leitora e mais nova colaboradora. Não deixem de conferir.

Grande abraço.

Sayonara.

terça-feira, 29 de junho de 2010

O Bardo - Capítulo 9


Capítulo 9 - A caçada

O mensageiro corria apressado, seu perseguidor muito próximo. Viajava já há dias, tentando alertar o exército de Ibehria. O Batalhão de reconhecimento ao norte havia sido totalmente aniquilado e a Tropa do Corvo atacaria a capital descendo a cordilheira de Tulkas. Se chegassem à capital, o reino seria derrotado.

O homem, alto e forte, coberto por uma capa esverdeada e usando uma armadura leve de couro, esgueirou-se para trás de uma rocha, afundando seus tornozelos na lama. Respirou fundo, aguçando seus ouvidos, tentando localizar seu perseguidor. Quando o batalhão fora destruído Ralvan se escondeu na mata e iniciou seu caminho de volta. Acreditou ter despistado todos os soldados mas, na manhã seguinte, percebeu que estava enganado.

Acordara assutado, olhando a cabeça de McDugall, seu amigo, pendurada sobre uma árvore. Estava sendo perseguido, e o caçador parecia gostar de brincar com sua presa. Sentindo-se já meio morto, o mensageiro decidiu usar todas as suas forças para chegar à capital. O inimigo era cruel, e Ralvan temeu pela segurança de seus familiares, fazendeiros que viviam próximos ao centro do reino.

Já no terceiro dia de perseguição, o mensageiro ainda não vislumbrara seu caçador. Sentia-se sempre observado. Dormia mal, poucas horas. Comia em marcha, apressado. Olhava por sobre os ombros a cada instante. Já pensava estar ficando louco, cada segundo parecendo ser seu último. Por vezes disparou flechas em pequenos animais ou em galhos que balançaram na mata ao sabor do vento. Até sua aljava ficar vazia.

Abandonou o arco e sacou sua faca longa. A sensação de apertar o cabo da arma dando-lhe certa tranquilidade. Mais cinco dias se passaram, e suas provisões acabaram. Começou a passar fome e sede, os males juntando-se ao sono e ao cansaço. Cada vez que a esperança começava a lhe abandonar, lembrava a si mesmo que faltavam apenas mais dois dias de marcha até o posto de observação mais próximo.

Faltava apenas um dia. O posto era guarnecido por uma quinzena de lanceiros e outra de arqueiros. Estaria seguro lá. Poderia entregar sua mensagem e depois descansar, protegido por trinta oficiais competentes. Perdera sua faca na trilha, tão cansado que já nem lembrava em que momento.

Felicidade. Avistou a torre de madeira e pedra, erguida em uma clareira na borda da floresta. A fumaça saindo da chaminé lhe indicando a presença dos soldados. Sentiu as lágrimas rolando de seus olhos. Ficaria vivo. Entregaria a mensagem. Salvaria o reino.

Correu os últimos metros, até a entrada da torre. Subiu as escadas até o observatório, onde ficava o posto de observação propriamente dito, a lareira e os mantimentos. Depois de subir o último degrau, deixou-se cair no piso de madeira lustrosa. Respirava pesadamente, seu rosto tocando o chão. Estava seguro.

Foi quando sentiu uma substância quente e pegajosa entre sua face e o chão. Ouviu uma voz que gelou sua espinha.

-O que eu mais gosto é desse olhar, mensageiro. É delicioso ver a esperança abandonar seus olhos. Abandonar os olhos da caça. Ficam opacos quando a presa percebe que vai morrer. Percebe que se esforçou em vão.

Ralvan ergueu a cabeça. O líquido pegajoso era sangue. No salão circular, jaziam trinta oficiais decaptados. Seus corpos empilhados próximo da lareira. As cabeças dispostas em cima de uma mesa de mogno. Sentado em uma poltrona confortável, na frente da lareira acesa, a caçadora.

Era uma mulher jovem, pouco mais de vinte anos. Os cabelos ruivos presos em uma trança até o meio de suas costas. Trajava uma armadura de placas sobrepostas que lhe caía de forma sensual, apesar de não revelar um centímetro de sua pele até o pescoço. Suas mãos estavam cruzadas sobre suas coxas, cada uma empunhando uma espécie de faca longa e lâmina levemente curvada. Gotejava sangue. Seus olhos verdes encontraram os olhos de Ralvan, e ela percebeu a opacidade.

Levantou-se.

-Obrigado mensageiro. Me proporcionou um verdadeiro prazer. Vou te conceder a minha maior dádiva para minhas presas. Você vai gostar, prometo. Eu sei que vou adorar.

Com um sorriso lascivo, a caçadora decaptou o mensageiro com um golpe limpo e rápido. Limpou as lâminas na capa do cadáver e embainhou as facas em sua cintura. Caminhou elegantemente até a cabeça, segurando-a pelos cabelos. Olhou em seus olhos.

-Isso mensageiro, é o seu prêmio. Sinta-se honrado, poucos já receberam.

A caçadora beijou os lábios do cadáver de forma voluptuosa, uma lascívia repugnante. Depois largou a cabeça sobre a mesa e desceu as escadas. Parte de sua missão estava completa. O caminho da Tropa do Corvo estava limpo. Faltava apenas um passo em sua missão.

Caçar o filho de Rester.

Continua...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Cerimônia do Chá


Olá leitoras e leitores! Tão esperada, hoje é dia da continuação do conto
Queda Livre, postado pela primeira vez na primeiríssima edição da minha querida Cerimônia do Chá.

Sem mais delongas, curtam mais um ótimo texto da nossa colaboradora Sayu! E não deixem de conferir outros textos maneiríssimos dela em seu blog
Papel Rasgado.

Queda Livre

Parte 2

Estava escuro. Rachel estendeu as mãos.

Sentiu a escuridão escorrer por entre seus dedos. O breu era palpável, semi-sólido, como uma névoa densa em sua volta. Subitamente, a cortina negra se abriu ao seu redor.

Rachel se viu no topo de um edifício, observando os carros e as pessoas lá embaixo, ao longe. Muito longe. Estava alto, e apesar de nunca ter sido acometida de qualquer fobia de altura, achou que ia cair para trás com aquela visão.

Por outro lado... Uma voz em seu ouvido lhe dizia: “Pule, vamos. Liberte-se.”

Aquilo a fez se sentir estranha. Como se estivesse ansiosa para pular, ansiosa pela liberdade do vôo derradeiro. Uma risada macabra soou em seu ouvido.

“Pule, como eu pulei. E morra sem conseguir aplacar seu desespero... Como eu morri!”

Rachel virou-se, se deparando com um rosto desfigurado, olhos injetados de sangue. Foi empurrada para o vazio...


***


A jovem policial acordou gritando em sua cama. O teto de seu quarto a fez perceber que ainda estava ali, viva, e não caindo de um edifício. Porém, o sonho tinha sido extremamente real.

Seu coração batia descompassado.

- Preciso de café... – ela murmurou consigo mesma, afastando os cobertores.

O mesmo pesadelo a atacava novamente.


***


- Hey, Rach – James cumprimentou a parceira ao vê-la chegar na delegacia. – Você parece péssima. Passou a noite acordada?

- Quem dera – A policial disse, sem emoção. Sentou-se à sua mesa e começou a mexer em papéis distraidamente, esperando esquecer seu pesadelo.

- Já estou com o relatório do legista.

Rachel suspirou. O caso do elevador lhe perturbava e lhe intrigava ao mesmo tempo.

- Que rápido.

Nesse momento, o telefone na mesa de James toca, e ele atende. Sua expressão facial muda.

- Certo. Estamos a caminho.

- O que houve? – Rachel pergunta.

- Suicídio coletivo. – James responde, pegando o casaco e se retirando, com Rachel logo atrás.


***


- O que está acontecendo com as pessoas essa semana? – A policial exclamou, olhando para a massa sangrenta embaixo de plástico preto.

Vários curiosos se amontoavam em volta da fita amarela, e James olhava um dos corpos mais de perto. Rachel não queria chegar perto deles, o que era estranho para sua profissão, em que estava acostumada a lidar com esse tipo de coisa. Ela sentia algo muito sinistro ali.

- São todas mulheres – Ele concluiu, baixando o plástico. – Devem ter se atirado do último andar, pelo estado do corpo. Interessante...

- O que pode ser interessante em uma situação dessas, James?

- Lembra muito o corpo que encontramos no elevador ontem, apesar de ser uma situação completamente diferente.

- Certo... Vou coletar depoimentos – Rachel disse, querendo se livrar da visão do pesadelo que novamente a atormentava.

Ela foi até uma mulher que estava sentada em uma ambulância, levemente histérica. Parecia que tinha acabado de tomar um calmante.

- Senhora...

A mulher virou a cabeça rapidamente, parecendo mortalmente assustada.

- Eu disse pra elas não pularem!

- Acalme-se, senhora. Conte-me o que aconteceu, com calma.

- Foi a sombra! A sombra as matou... A sombra queria suas almas para si!

Rachel olhou para o médico ao lado. Ele deu de ombros, como se dissesse que nada podia fazer. Já tinha aplicado um calmante na mulher, mas parecia não estar fazendo muito efeito. Subitamente, ela começou a gritar, histérica.

- Eu sinto! Ela está sobre nós! EU A VEJO EM VOCÊ!

Dois médicos precisaram segurar a mulher enlouquecida para aplicar um sedativo, enquanto Rachel observava, transtornada. Havia algo de sinistro ali, ela tinha certeza. Seus sonhos a alertaram disso desde o início.

Continua na próxima cerimônia do chá!